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\section{Estruturando o texto}
Textos, assim como animais, possuem uma anatomia. Essa anatomia é o que permite ao leitor se localizar em sua leitura, identificar algo que procura. A estrutura do texto, além disso, carrega uma mensagem em si, ao menos em potencial, ao refletir o encadeamento do texto.
A depender da classe do documento, há uma certa variedade de tipos de segmentações à nossa disposição para organizar o texto.\footnote{E, como tudo o mais quando se trata da família \TeX, esse conjunto pode ser estendido e modificado como melhor nos aprouver.}
Artigos podem ser particionados em seções, subseções, subsubseções, apêndices.
Livros possuem, adicionalmente ao que está disponível em artigos, capítulos (contendo um certo número de seções).
Relatórios possuem adicionalmente (a livros) \emph{partes} (que contém capítulos).
E por aí vai.
Você pode mesmo criar seu próprio nível hierárquico, como parágrafos.%%, como veremos na seção~\ref{sec:contadores}.
Neste capítulo, abordaremos, a título de exemplo, secionamento (segmentação) de um texto em artigos (documentos da classe~\pacote{article}). O comportamento apresentado em livros, relatórios etcétera é análogo, e em caso de dúvida basta recorrer aos manuais da respectiva classe (que, por padrão, vêm juntamente com o pacote quando a sua distribuição \LaTeX\ é instalada).
\subsection{Títulos, autor e data de documentos}
Em muitas classes de documentos, estão disponíveis os comandos para
definir o título, o(s) autor(es) e a data do documento. Cada classe
exibe essa informação de um modo, mas em boa parte delas você define o
título com um comando \verb'\title{Minhas Férias}', o autor usando o
comando \verb'\author{YoMoiIchEu}'. A data é composta automaticamente
com a data em que o documento for processado (no idioma do
documento). Você pode escolher (fixar) a data usando o comando
\verb'\date{Muito, muito tempo atrás}'.
Depois de especificados o título e o autor (mais de um autor pode ser
declarado, separando-se seus nomes por \verb'\and'), você escolhe o
ponto do texto no qual quer que apareçam, e usa o comando
\verb'\maketitle'. Voilà!
\subsection{Marcando a anatomia}\label{sec:comandos-de-secionamento}
O exemplo a seguir ilustra o uso de seções, subseções, subsubseções, seções não numeradas\index{secao@seção} e apêndices.
\medskip
{\footnotesize\verbatiminput{exemplos/05-01-sectioning}}
\medskip
Dizemos que uma seção inicia a partir do comando \verb'\section'. O
argumento que este comando leva é o título da seção. O mesmo acontece
para sub-seções, e as demais divisões do texto.
Seções são numeradas por padrão. Para obter uma seção, sub-seção, etc. não numerada,
use o respectivo comando em sua versão com asterisco, por
exemplo \verb'\section*{Prefácio}'.
A classe de documento e os pacotes que você usa definem quais os
comandos de secionamento disponíveis. Livros, por exemplo, têm
\verb'\chapter', relatórios têm \verb'\part', e por aí vai.
\subsection{Sumários}
Falemos agora do acompanhamento natural de um texto secionado:
sumários (ou índices). Fazer um sumário\index{sumario@sumário}, com o
\LaTeX\ é muito simples. Marque os títulos das partes usando os comandos de
secionamento que acabamos de ver, e, no ponto do texto em que deseja
acrescentar o índice, coloque o comando \verb'\tableofcontents'.
Uma vez marcadas as seções do texto e solicitado o índice, o
\LaTeX\ anota (em um arquivo auxiliar) as páginas em que começam as
seções do texto, à medida que o processa. Essas informações
são usadas para escrever o sumário. A depender da parte do
texto na qual sumário foi posto, pode ser necessário processar o texto duas vezes\footnote{Para sermos estritamente precisos, é possível construir documentos anômalos que ``ludibriam'' o índice e requerem mais processamento, mas não se preocupe: se seu texto tiver essa propriedade, certamente você a terá causado conscientemente.} (na primeira as páginas em que ocorrem as seções são anotadas, e
na segunda as entradas no sumário são atualizadas com os valores
corretos).
Além das informações escritas no arquivo auxiliar (que tem a
extensão~\extensao{aux}), o comando \verb'\tableofcontents' faz ser
gerado um outro arquivo, com a extensão \extensao{toc} (\emph{table of
contents}), que contém o sumário em si.
É possível --- e igualmente fácil --- gerar listas de figuras, tabelas
ou quaisquer outros elementos usando \LaTeX.
%% Veremos como fazê-lo nas
%% seções~\ref{sec:floats} e~\ref{sec:contadores}.\footnote{Para os
%% curiosos, a receita: basta usar \texttt{\char`\\{}listoffigures}
%% e~\texttt{\char`\\{}listoftables} em conjunto com os ambientes
%% \ambiente{figure} e \ambiente{table}.}
Os comandos de secionamento possuem em geral um parâmetro opcional,
que é uma versão ``mais compacta'' do título, para ser usada em no
sumário (ou, por vezes, no cabeçalho ou rodapé de páginas).
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\section[Prova Documental]{%
Documento provando a corretude do argumento %
que concebi em uma longa insônia alcoolizada}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
\subsection{Referenciando elementos do texto}\label{sec:ref-e-label}
Assim como sumários são elementos importantes para a orientação do leitor-explorador, existem outros tipos de referências que ocorrem com frequência. Outro modo de remeter o leitor a um trecho, página --- em geral, a um \emph{elemento} qualquer --- do texto é usando \emph{referências}, que são o assunto desta seção.
Há vários tipos de referências, e várias maneiras de se referir a
alguma coisa. Podemos fazer referência a uma~\emph{figura} ou a
um~\emph{capítlo}; assim como podemos identificá-los por um número
próprio, ou pelo número da página em que se iniciam.\footnote{Outros
tipos de referência incluem: referência a notas de rodapé e a
elementos ``externos'', como itens de bibliografia, glossário e
índices remissivos, que são explorados nas seções~\ref{sec:biblio}
e~\ref{sec:indice-glossario}.} Em sua essência, porém, existem
apenas dois componentes imprescindíveis em uma referência: um
\emph{indicador} e um \emph{indicado}.
Para referenciar algo em \LaTeX, usamos \emph{rótulos}. Rótulos são nomes que damos a algum elemento do texto. Para criar um rótulo, use o comando \verb'\label{nome do rotulo}'\index{label@\verb'\label'}, e para referenciá-lo use o comando \verb'\ref{nome do rotulo}'\index{ref@\verb'\ref'}.
Quando usados em um ponto do texto, o label fica automaticamente associado à página, seção (subseção e etcétera) a que pertence aquele ponto no texto. Em enumerações, associa-se ainda ao item correspondente, e assim vale para figuras, tabelas e ambientes em geral.
Note que no exemplo o nome do rótulo não tem acentos. Quando criar seus rótulos, use apenas caracteres simples: mais especificamente, caracteres \acronimo{ascii}\footnote{Entre os caracteres \acronimo{ascii} estão as letras de `\texttt{a}' a `\texttt{z}' (maiúsculas e minúsculas), os dígitos, o espaço em branco, assim como os caracteres ``\texttt{@\#\$\%\&*`'"!()-\char`\_=+[]\char`\{\char`\}\^{}\~{},.;/\char`\\|<>?}''.}.