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\section{Primeiro documento}
\subsection{Texto e sequências de controle}\label{sec:seq-controle}
Quando você escreve um texto~\LaTeX, a maior parte do tempo você está
escrevendo como se usasse uma máquina de escrever comum (talvez você nunca tenha usado uma, mas provavelmente pode imaginar como é). Mas não todo o tempo.
Uma primeira diferença das máquinas de escrever é o
espaçamento. Muitos textos são feitos de modo a formarem retângulos na
página (o afamado \emph{alinhamento justificado}). Mas, para que as
linhas tenham o mesmo comprimento, é preciso hifenar\footnote{Vide
seção~\ref{sec:hifenacao}.} algumas palavras, e ainda alargar ou comprimir ligeiramente o espaço entre as elas (essa é uma tarefa complicada, que o \LaTeX\ desempenha exemplarmente). Não é surpresa que o sistema tenha um modo diferente de lidar com o espaçamento que colocamos no texto. Por exemplo: colocar um espaço entre palavras faz com que elas fiquem separadas por um espaço (até aí, nenhuma surpresa). Mas colocar dois, três, ou cinquenta espaços entre um par de palavras tem o mesmo efeito que colocar apenas um. E mais: quebrar a linha no texto não causa uma quebra de linha no texto final. Observe atentamente o exemplo abaixo. O caractere `\texttt{\textvisiblespace}' indica um espaço em branco.
\medskip
\begin{center}\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.405\textwidth}\footnotesize
\verbatiminput*{exemplos/03-espacos-01}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.535\textwidth}\setlength{\parindent}{1pc}
\input{exemplos/03-espacos-01}
\end{minipage}
\end{tabular}\index{\\@{\tt\char`\\\char`\\}}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
Até o momento, falamos de texto puro e simples. Caracteres e espaços. Eventualmente, no entanto, você desejará acrescentar algo ao
texto além de palavras. Pode ser que queira \emph{enfatizar alguma
passagem}, ou
\begin{quote}
``\ldots \textsl{citar algo que, alguma vez, muito apropriadamente, foi
dito ou escrito, e que ilustra bem o que quer que seja.''}
\hfill\textsl{Autor Conhecido}
\end{quote}
Em situações como essas, empregam-se \emph{sequências de controle},
que especificam o papel de alguma palavra, região ou ponto do texto.
Por exemplo, empreguei uma palavra de controle (\emph{control word\/})
pouco acima, para dizer ao \LaTeX\ que ``Texto e sequências de
controle'' é um título de seção. Sabendo disso, o sistema pode fazer
várias coisas, como
\begin{enumerate}
\item descobrir o número da seção,
\item alterar o tamanho e peso da fonte empregada para escrever as
palavras do título (com o número da seção ao lado), e
\item acrescentar uma linha ao sumário do texto com o número da página
em que a seção começa.
\end{enumerate}
Sequências de controle iniciam por uma barra `\verb|\|'. A maior parte
delas, que chamamos \emph{palavras de controle}, são formadas pela
barra seguida por letras\index{letras} (consideramos aqui letras os
caracteres `\texttt{A}' a `\texttt{Z}', e `\texttt{a}' a
`\texttt{z}'). Há um outro tipo
de sequência de controle, que chamaremos aqui de \emph{caractere de controle}
(control character), que consiste de uma barra seguida de um caractere
não-letra, por exemplo `\verb|\-|', e `\verb|\{|' (a função dessas
sequências será explicada nas seções \ref{sec:hifenacao} e
\ref{sec:matematica}).
Naturalmente, surge a pergunta: mas e se eu quiser usar uma
\textbackslash\ no meu texto? De fato, se você digitar
``\verb|amigo\inimigo|'' para obter amigo\textbackslash inimigo, terá
uma surpresa: muito provavelmente o \LaTeX\ reclamará de uma
\verb!undefined control sequence \inimigo!. Veremos que
alguns caracteres são ``reservados'' pelo \LaTeX\ para algumas funções
especiais. Citamos aqui os caracteres `\%', `\$' e `\_', além,
claro, do nosso amigo `\verb|\|'. Se você deseja usá-los no seu texto,
será preciso recorrer a alguma sequência de controle que os coloque lá. A
propósito, as sequências de controle necessárias para esses caracteres
em particular são
\begin{center}
`\verb|\%|' \ para \ `\%'%
\qquad`\verb|\$|' \ para \ `\$'%
\qquad`\verb|\_|\negthinspace' \ para \ `\_'%
\qquad`\verb|\textbackslash|' \ para \ `\textbackslash'\qquad
\end{center}
\subsection{Um documento simples}
Um texto preparado para o \LaTeX\ em geral é precedido por um
\emph{preâmbulo}, em que geralmente são descritas características do
texto (por exemplo, se ele é uma carta, um livro, um relatório; quem é
o seu autor; se o documento será impresso frente e verso, ou se apenas
uma página por folha.
O trecho abaixo tem três sequências de controle. Vejamos o que
significam.
\begin{verbatim}
\documentclass{article}
\begin{document}
Olá mundo! % Colocar um conteúdo de verdade.
\end{document}
\end{verbatim}
Primeiro definimos a \emph{classe} do documento, com a
sequência de controle \verb|\documentclass|. Essa sequência requer um
parâmetro, (qual a classe do documento, no caso \verb!article!) que é
posto entre chaves. Teremos mais a falar sobre parâmetros, ou
\emph{argumentos} daqui a pouco.
A classe \verb!article!, define uma série
de coisas, como o tamanho das margens e a formatação de muitos
elementos do texto, p.~ex., a formatação dos números das páginas. Outras
classes comumente usadas incluem \verb!letter!, para cartas,
\verb!beamer! para apresentações de slides, \verb!report! para
relatórios, \verb!book! para livros, \verb!a0poster! para pôsteres em
papel \textsf{A0}, etc. Há vários: modelos para teses
disponibilizados por universidades, muitos dos quais se pode obter
gratuitamente na internet.
A seguir, demarca-se o início do documento propriamente dito. O par de
sequências de controle \verb!\begin! e \verb!\end! delimita uma
\emph{região} (falaremos mais delas em breve). Aqui, a região é o
próprio documento, seu conteúdo visível. Assim,
\verb!\begin{document}! delimita o início de uma região do tipo
\emph{document}, que é encerrada por \verb!\end{document}!.
Finalmente, o conteúdo do documento: a frase ``Olá mundo!'', seguida
de um \emph{comentário}. Se você é um programador, a noção de
comentário (como aliás muitas outras que abordaremos aqui) deve
ser-lhe bem familiar. Em nosso exemplo, o comentário é
\begin{center}
\textit{Colocar um conteúdo de verdade.}
\end{center}
Comentários iniciam-se por um caractere `\verb.%.', e vão até o fim da
linha. Eles são ignorados pelo \LaTeX: são anotações no texto que o autor pode fazer para lembrar-se de algo ou temporariamente remover um trecho do texto, por exemplo.
Um detalhe importante: todo o texto que faz parte do comentário é como se não existisse para o \LaTeX\ quando ele processa o texto: tudo o que está entre o caractere `\verb`%`' e a primeira quebra de linha é ignorado, incluindo o caractere de porcentagem e a quebra de linha!
\medskip
\begin{center}\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.405\textwidth}\footnotesize
\verbatiminput{exemplos/03-comentario-e-quebra-de-linha-01}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.535\textwidth}
\input{exemplos/03-comentario-e-quebra-de-linha-01}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
\subsection{Parâmetros}
As sequências de controle (também chamadas aqui de
\emph{comandos}\index{comando}) encontradas, até agora foram
sempre seguidas de algum texto entre chaves. Em \LaTeX, as chaves
servem para agrupar coisas, para que sejam vistas como uma unidade
só.
De modo geral, sequências de controle operam de acordo com os
parâmetros, ou argumentos, que passamos para elas. Se uma sequência
emprega um certo número de parâmetros (digamos, 2), ela considera que
eles são os (dois) agrupamentos imediatamente depois dela. Mas
atenção: o \LaTeX\ sempre considera \emph{agrupamento} a menor unidade indivisível
que encontra ao ler um texto! Letras que não estejam envolvidas em
chaves são, cada uma, um elemento diferente, assim como sequências de
controle o são. Por outro lado, um texto envolvido entre chaves conta
como um único agrupamento, um único elemento.
Por exemplo, suponhamos que haja um comando \verb!\importante! para
destacar texto, que opere sobre um único parâmetro (o texto
importante). O que cada uma das linhas a seguir destaca?
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\importante Lembre-se de usar chaves!
\importante{fazer as compras}
\importante{Destacar textos {importantes}}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
Respostas: (Você tentou os exercícios? Vá lá, mais uma chance!)
Respectivamente: ``L''; ``fazer as compras'', e ``Destacar textos {importantes}''.
Comandos nem sempre precisam de argumentos. Por exemplo,
\verb!\newpage! termina a página atual e continua o texto na página
seguinte, e \verb!\maketitle! mostra o título, autor e data do texto.
\subsection{Regiões}
Você já deve ter reparado que há uma certa ``anatomia'' no
texto. Por exemplo, há imagens, citações, tabelas, poemas, listas,
enumerações, e descrições, só para citar alguns. Todos são
elementos de natureza diferente do texto, tanto visual como
conceitualmente.
Essas regiões, também chamadas de \emph{ambientes}, são trechos do
texto que têm um papel diferente, e, assim, provavelmente demandam um
tratamento diferente.
Já usamos regiões uma vez nesta apostila: o corpo do texto, o
\emph{document}, onde vivem seus elementos visíveis. Neste ponto, você
já deve imaginar como fazer para delimitar um ambiente. Digamos, que
uma parte de nosso relatório seja pura magia. Para que isso seja de
fato incorporado ao texto, basta fazer:
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\begin{pura-magia}
Chirrin-chirrion!
\end{pura-magia}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
\subsection{Acentuação: para além do ASCII}\label{sec:ascii}
Ao experimentar os exemplos dados até agora (se não fez, esta é uma
boa oportunidade! Tente gerar documentos a partir dos exemplos, eu
fico aqui esperando) você deve ter reparado que os caracteres
acentuados não aparecem no documento final. Mas experimente o seguinte
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\documentclass{article}
\begin{document}
Ol\'a mundo! Voc\^e come\c cou a notar algo?
\end{document}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
Não desespere. Acentuar é muito mais fácil do que isso. Tentemos outra
coisa
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\documentclass{article}
\usepackage[utf8]{inputenc}
\begin{document}
Olá mundo! Você começou a notar algo?
\end{document}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
Qual o resultado? E se você tentar o seguinte?
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\documentclass{article}
\usepackage[T1]{fontenc}
\begin{document}
Olá mundo! Você começou a notar algo?
\end{document}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
Uma das alternativas acima deve solucionar a questão dos acentos em
seu computador, a depender de como estão armazendas as letras no
seu texto. Mais precisamente, cada uma das linhas novas, que começam
por \verb'\usepackage', tenta dizer ao \LaTeX\ como interpretar a
\emph{codificação} do arquivo que ele irá processar.
\begin{detalhe}
O leitor atento poderá se perguntar: mas o texto que salvei é
\emph{puro}\footnote{Usamos aqui \emph{texto puro} como tradução da
expressão em inglês \emph{plain text}: texto sem formatação.}, sem
formatação alguma --- como ele pode ser armazenado de mais de um modo?
quem determina que codificação o arquivo tem?
A resposta direta a essa pergunta é a seguinte: arquivos são
armazenados como sequências de zeros e uns no computador (ao menos até
este momento, em 2010). A \emph{codificação} de um arquivo é o
conjunto de regras que associa a determinadas sequências de zeros e
uns a cada uma das letras de um texto.
\end{detalhe}
Apesar de os comandos para acentuação serem dispensáveis na maioria
dos casos, há situações em que pode ser útil saber um truque ou
outro. Principalmente quando o que se deseja é escrever algum nome
estrangeiro em algum ponto particular do texto, e não se sabe como
obter o caractere a partir do seu teclado.
O trecho a seguir é um excerto do \TeX book.
\medskip
\begin{center}\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.405\textwidth}\footnotesize
\verbatiminput{exemplos/03-verbatim-example-03}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.535\textwidth}
\input{exemplos/03-verbatim-example-03}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
Mas o que faz o comando `\verb'\usepackage''? Veremos a seguir.
\subsection{Pacotes}
Uma característica importantíssima do \LaTeX\ é sua
expansibilidade, que permite que ele se adapte às necessidades
dos mais variados usuários. Assim como é possível estender as
capacidades de um programa acrescentando-lhe `plugins', `add-ons', ou,
em mais baixo-nível, bibliotecas, é possível dotar o \LaTeX\ de mais
comandos, pela inclusão de \emph{pacotes}.
Pacotes são documentos de texto (como os que você escreve ao seguir
esta apostila). Certo, eles não são \emph{exatamente} documentos de
texto como os que você escreve agora: os pacotes possuem diversas
definições de comandos, macros e ambientes, que agregam funcionalidade
ao \LaTeX. Pacotes têm muitas vezes a extensão \extensao{sty}, embora
você não precise se preocupar com esse detalhe (ao menos enquanto você
não estiver escrevendo seus próprios pacotes, ou investigando as
fascinantes entranhas do sistema).
Para usar um pacote, basta usar o comando \verb'\usepackage'. Esse
comando faz com que o \LaTeX\ procure pelo arquivo do pacote e torne
sua funcionalidade disponível para que você dela disponha como quiser.
O argumento do comando é o nome do pacote. Pouco atrás usamos um
comando para poder usar acentos em arquivos codificados em \extensao{utf8}.
\begin{center}\footnotesize
\begin{verbatim}
\usepackage[utf8]{inputenc}
\end{verbatim}
\end{center}
Este comando tem um \emph{parâmetro opcional},
\texttt{utf8}. Parâmetros opcionais estão presentes em vários
comandos. Um parâmetro opcional pode ser omitido; ele geralmente
representa alguma configuração ou pequena alteração no modo de
funcionamento do comando.
Assim, é comum que pacotes possam ser configurados por meio de
parâmetros opcionais passados a eles.
Da mesma maneira, classes de documento também podem ser configuradas
por meio da passagem de parâmetros opcionais. Alguns exemplos: pode-se
passar os parâmetros opcionais \texttt{11pt}, \texttt{twocolumn},
\texttt{twoside}, \texttt{draft} para a declaração da classe
\texttt{article}. Assim, para um documento a ser impresso
frente-e-verso, em duas colunas, podemos escrever
\begin{footnotesize}
\begin{verbatim}
\documentclass[twocolumn,twoside]{article}
\begin{document}
...
\end{document}
\end{verbatim}
\end{footnotesize}
É importante notar que separamos os parâmetros opcionais por
vírgulas. Isso acontece para comandos como \texttt{documentclass} e
\texttt{usepackage}, mas não é válido para outros comandos (vide
seção~\ref{sec:comandos}).
Há pacotes para as mais diversas coisas: acrescentar cor ao texto,
usar capitulares (letras grandes, muitas vezes cheias de adornos, no
início de parágrafos), para descrever palavras-cruzadas, jogos de
xadrez, para desenhar, para fazer tabelas grandes, colocar trechos de
texto em números variáveis de colunas, acrescentar marcas d'água,
personalizar cabeçalhos e rodapés, e mesmo
``meta-pacotes.''\footnote{Pacotes que auxiliam a escrita de outros
pacotes. Esses pacotes geralmente são de um gênero mais técnico,
parecendo às vezes ``coisa de programador.''}
\subsection{Caracteres reservados}
São dez os caracteres reservados pelo \LaTeX\ para funções especiais
(ou seja, é preciso alguma ginástica para obtê-los). Eles são os seguintes.
\begin{center}
\verb'\ _ ^ ~ & # { } % $'
\end{center}
A barra marca o início de um comando; o ``underscore'' e o circumflexo
são usados no modo matemático (seção~\ref{sec:matematica}); o ``e
comercial'' é usado em tabelas (seção~\ref{sec:tabelas}); o ``jogo da
velha'' é usado na definição de comandos (seção~\ref{sec:comandos});
as chaves agrupam texto; o caractere de porcentagem marca o início de
comentários; e o cifrão delimita o modo matemático.
Esses caracteres podem ser usados em um documento prefixando-os por
uma barra.
\medskip
\begin{center}\footnotesize\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\verbatiminput{exemplos/03-verbatim-example-05}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\centering \input{exemplos/03-verbatim-example-05}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
A exceção é a barra, que pode ser obtida por meio do
comando \verb'\textbackslash'.
\subsection{Palavras de controle e texto}\label{sec:palavras-de-controle}
Para construir um texto usamos aqui nada mais que palavras e comandos,
simplesmente. Nesta seção veremos como eles se coordenam.
Durante o processamento de seu texto, a maior parte do tempo o
\LaTeX\ apenas encontra letras comuns, que prepara para colocar em um
parágrafo. Algumas vezes, no entanto, ele encontra uma barra --- o que
significa que uma sequência de controle foi encontrada. Se o caractere
seguinte não for uma letra, trata-se de um
\emph{caractere de controle} (vide seção \ref{sec:seq-controle}), e
o \LaTeX\ continua processando o texto, levando em conta, claro, o
significado do comando que encontrou. Já se após a barra há uma
letra, o sistema se prepara para ler uma palavra de controle: continua
a ler caracteres do texto até encontrar o primeiro caractere que não
seja uma letra\footnote{Lembre-se: letras são os caracteres de
\texttt{a} a \texttt{z} e de \texttt{A} a \texttt{Z}.}. Se a palavra
de controle é seguida de espaços em branco, \emph{eles são
ignorados}; e se ela é seguida de \emph{uma} quebra de linha, ela é
ignorada também. O que acontece com mais quebras de linha?
Experimente! Exercício: como você faria para escrever \TeX emplo?
Se os espaços em branco são ignorados, como faço para que uma palavra
de controle como \LaTeX\ seja seguida por um espaço (como foi aqui)?
Os espaços são necessários após uma palavra de controle para definir
seu fim --- caso contrário, o \LaTeX\ consideraria que \verb'\TeXemplo' é
uma palavra de controle só. Mas qualquer coisa que permita ao sistema
identificar que a palavra de controle terminou serve para o mesmo
propósito. Assim, se você colocar um grupo vazio seguindo o comando
(`\verb'\TeX{} emplo''), ou colocar um grupo envolvendo o comando
(`\verb'{\TeX} emplo''), o espaço que segue o fim do grupo será
preservado. Há ainda um outro modo, mais simples, de colocar um espaço
logo depois de uma palavra de controle: basta usar o comando
`\verb'\ '', que é uma barra seguida de um espaço. Esse comando
simplesmente produz um espaço em branco, e podemos escrever
`\verb'\TeX\ emplo'' para obter o \TeX\ emplo.
\subsection{Texto sem formatação}
Por vezes o que queremos é que o texto digitado apareça exatamente
como o escrevemos. Veremos a seguir que o \LaTeX\ toma algumas
decisões por conta própria na hora de compor o texto, e os importantes
benefícios que esse comportamento traz consigo. Por hora, mencionemos
um importante exemplo: nem todo espaço no arquivo-fonte corresponderá
a um espaço na formatação final. Calma, as palavras não serão
coladas. Mas experimente usar dois espaços entre um par de palavras. O
que acontece\footnote{Não há resposta aqui \texttt{=)}.}?
Em algumas situações, como por exemplo em listagens de programas, pode
ser útil usar o \LaTeX\ como se ele não fosse mais do que uma máquina
de escrever digital. Queremos que o texto seja posto
\emph{verbatim}\index{verbatim}, isto é, exatamente como foi
escrito. Para isso, podemos usar (sic) o ambiente \verb'verbatim'.
\medskip
\begin{center}\footnotesize\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\verbatiminput{exemplos/03-verbatim-example-01}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\input{exemplos/03-verbatim-example-01}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
Há um outro método para ``cancelar'' a interpretação de caracteres,
para trechos menores, destinados a viver dentro de uma frase
comum. Por exemplo, as várias vezes em que me referi a comandos
\verb'\LaTeX', precisei fazer com que a interpretação do comando fosse
abortada (caso contrário, teria obtido \LaTeX). O comando que faz isso
é o \verb'\verb', que possui uma sintaxe especial. O comando é seguido
por um caractere qualquer (espaço vale!). Esse caractere servirá para
delimitar o fim do argumento de \texttt{\char`\\{}verb}. A esse
caractere se segue o texto a ser ``verbatimizado,'' que é todo o texto
até a próxima ocorrência do delimitador. Exemplo:
`\texttt{\char`\\{}verb!\char`\\LaTeX!}' resulta em `\verb!\LaTeX!',
mas `\verb'\LaTeX'' resulta `\LaTeX'.
Um último comentário. Tanto o comando quanto o ambiente verbatim
possuem uma versão ``estrelada'', que exibe os espaços em branco
\verb*'deste jeito aqui'. O ambiente é chamado \verb'verbatim*' e o comando
\texttt{\char`\\{}verb*}.
\subsection{Alguma tipografia}
Já dissemos que o \LaTeX\ tem um jeito particular de dispor o texto
que escrevemos. Veremos agora que história é essa.
\medskip
\noindent\begin{minipage}{\textwidth}
\begin{center}\footnotesize\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\verbatiminput{exemplos/03-verbatim-example-02}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\input{exemplos/03-verbatim-example-02}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\end{minipage}
\medskip
Algo que salta à vista de primeira é que as quebras de linha não são
respeitadas. Também parece que os espaços a mais são
desconsiderados\dots e a realidade não está mesmo longe disso: um
espaço ou vários espaços são a mesma coisa para o \LaTeX. Uma (única)
quebra também é equivalente a um espaço. Duas quebras de linha, por
outro lado, fazem com que um novo parágrafo seja iniciado.
Notável também é o fato de que o primeiro
parágrafo\index{paragrafo@parágrafo} não tem recuo, enquanto que os
demais o têm. Isto se deve ao fato de que para algumas culturas (em
particular na tipografia de língua inglesa), não é costumeiro marcar a
primeira linha de um parágrafo com recuo a menos que este seja
precedido imediatamente por outro parágrafo. Afinal, esse recuo tem
por objetivo facilitar a identificação visual do novo parágrafo, o que
não é necessário se o parágrafo é o primeiro de uma seção ou capítulo
do texto, por exemplo.
Encontramos também os comandos \verb'\LaTeX', que
escreve \LaTeX, e \verb'\emph', que \emph{enfatiza} o texto que lhe é
passado como parâmetro. Note que o que o comando faz é enfatizar: o
jeito como ele faz isso não é a nossa preocupação nesse momento.
\begin{center}
\it O que importa aqui é que o trecho tem que ser destacado.
\end{center}
E isso é diferente de dizer que o texto deve ser posto em negrito, ser
sublinhado, ser escrito em fúcsia, \reflectbox{ou} \reflectbox{de}
\reflectbox{algum} \reflectbox{jeito} \reflectbox{estranho}. Afinal, o
paradigma aqui é que a aparência do texto refletirá a função, o papel
semântico desempenhado por cada um de seus elementos. Assim,
descreve-se num primeiro momento o que cada um
\emph{significa}\index{marcacao semantica@marcação semântica},
deixando-se para outra etapa (quando pertinente) o ajuste do modo pelo
qual essa função é realçada visualmente.
\LaTeX\ lida com uma granularidade maior de conceitos do que comumente
nos é dado controlar em ambientes usuais de edição de texto; conceitos
que, a princípio, podem surpreender os não iniciados ao universo dos
cuidados tipográficos. A partir de agora, e à medida que adquire
experiência com um sistema tipográfico de alta qualidade como o
\LaTeX, você notará uma série de mudanças na percepção de um texto. Seu
vocabulário vai crescer, seus olhos e atenção serão exercitados em
novas direções, e muito provavelmente você se surpreenderá com a
influência que ``detalhes'' têm no ritmo e facilidade de leitura de um
texto. Mãos à obra!
\subsubsection{Hífens e hifenação}\label{sec:hifenacao}
Muito embora haja apenas um tipo de hífen em seu teclado, existem
muito mais hífens na tipografia. Há aquele usado em palavras
compostas, como ``guarda-chuva'' ou ainda ``resguardar-se'', e que também
servem para marcar a quebra de uma palavra no fim de uma linha
(sua \emph{hifenação}); há o traço usado para indicar um intervalo de números,
por exemplo 12--14; há o travessão --- o mais longo entre os hífens; e
há o sinal de menos, usado em equações, como em $20-3=17$. É fácil
produzir cada um desses símbolos em \LaTeX.
\begin{itemize}\footnotesize
\item \verb'guarda-chuva', \verb'resguardar-se'
\item \verb'exercícios das páginas 12--14'
\item \verb'no dia de hoje --- véspera de amanhã'
\item \verb'diga-me também que $2-2=5$, Winston'
\end{itemize}
O último dos exemplos acima introduz o chamado \emph{modo
matemático}\index{modo matematico@modo matemático}, assunto da seção
\ref{sec:matematica}.
Mas há ainda o que falar sobre hifenação. Na maior parte dos casos, o
\LaTeX sabe hifenar corretamente as palavras de diversos idiomas (o
portugês entre eles). Para isso basta usar o pacote \pacote{babel},
passando como parâmetro \parametro{brazil}. Algumas vezes, porém,
usamos termos que possuem uma hifenação pouco comum, ou usamos
palavras que o \LaTeX não consegue hifenar a contento. Quando isso
ocorre, podemos dizer explícitamente em que pontos uma palavra pode
ser hifenada. Há dois modos de fazê-lo: pode-se, no preâmbulo,
adicionar um comando \verb'\hyphenation', que leva como parâmetro uma
lista de hifenações, separadas por espaços, como abaixo. Note que não
se podem usar comandos ou caracteres especiais no argumento do comando.
\begin{center}
\verb'\hyphenation{FNAC A-bra-cur-six}'
\end{center}
No exemplo acima, FNAC, fnac e Fnac não serão jamais hifenadas, ao
passo que Abracursix e abracursix o serão, segundo os hífens
especificados.
Outro modo é explicar onde uma determinada ocorrência de uma palavra
pode ser hifenada, quando ela ocorre no texto. Nesse caso, a sugestão
de hifenação vale naquele ponto somente. O \LaTeX\ não se lembrará
dela se a palavra for usada novamente.
\medskip
\begin{center}\footnotesize\hrule\smallskip
\begin{tabular}{c|c}
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\verbatiminput{exemplos/03-verbatim-example-04}
\end{minipage} &
\begin{minipage}{.465\textwidth}
\input{exemplos/03-verbatim-example-04}
\end{minipage}
\end{tabular}
\smallskip\hrule
\end{center}
\medskip
\subsubsection[Ligaduras e Kerning]{Apurando os sentidos: ligaduras, kerning}% e história}
As letras por vezes requerem pequenas modificações no espaçamento
entre si, ou mesmo em sua forma, a depender dos símbolos que estão
próximos de si. Por exemplo, alguns pares de letras são aproximados,
enquanto outras vezes, partes de letras se fundem. Observe os exemplos
abaixo.
\medskip
\noindent\begin{center}%
\scalebox{3}[3]{f{i}}\hfil%
\scalebox{3}[3]{fi}\hfil%
\scalebox{3}[3]{T{a}}\hfil%
\scalebox{3}[3]{Ta}
\\[.9cm]
\scalebox{3}[3]{s{t}}\hfil%
\scalebox{3}[3]{st}\hfil%
\scalebox{3}[3]{f{l}}\hfil%
\scalebox{3}[3]{fl}
\end{center}
\medskip
Ligaduras (do inglês, \emph{ligatures}), ocorrem quando um agrupamento
de letras é substituído por algum outro símbolo, quer para melhorar sua legibilidade, quer para tornar o texto mais belo.
Já o \emph{kerning} é um aumento ou diminuição do espaço entre letras,
que varia de acordo com o entorno de cada caractere.
\medskip
\noindent\begin{center}%
\scalebox{2}[2]{Uma {T}orta {P}ara {J}aiminho}
\scalebox{2}[2]{Uma Torta Para Jaiminho}
\medskip
%\hfil\scalebox{2}[2]{\textsc{{V}á}}%
%\scalebox{2}[2]{\textsc{Vá}}\hfil%
\scalebox{2}[2]{\textsc{{A}v{a}r{o}}}\hfil%
\scalebox{2}[2]{\textsc{Avaro}}%
\hfil\scalebox{2}[2]{\textsc{{P}a{r}a}}
\hfil\scalebox{2}[2]{\textsc{Para}}\hfil
\end{center}
\begin{comment}
(breve) história do TeX, do LaTeX e irmãos
Resumo de como o sistema ``monta'' as páginas
\end{comment}
\subsubsection{Sobre espaçamento horizontal}\label{sec:espacos}
Nem todos os espaços são iguais. Não só variam em tamanho, mas possuem
comportamentos distintos. Falaremos a seguir dos
\emph{espaços duros}\index{espacos duros@espaços duros}
e de espaços um pouco mais largos, embora isso esteja longe de esgotar
o assunto.\footnote{Espaço preenchido e espaço em branco estão em
constante interação em qualquer peça de composição visual.} Falaremos dos espaços mais comuns no texto, como os que separam palavras. Algumas vezes (principalmente quando abordarmos a escrita de expressões matemáticas), outros tipos de espaçamento serão necessários.
Todo parágrafo justificado, isto é, que tem as margens direita e
esquerda alinhadas verticalmente, exige que o espaçamento entre palavras seja ``elástico'',
aumentando ou diminuindo conforme a necessidade. O \LaTeX\ possui um
mecanismo interno elaborado para o gerenciamento desses espaços (que não descreveremos aqui). Ainda
assim, é importante saber que alguns espaços são mais elásticos do que
outros, e que os espaços comuns possuem limites de compressão e
expansão.
Por exemplo, o espaço que segue o ponto final (ou a interrogação, ou a exclamação) em uma frase é mais
elástico que o espaço que une as demais palavras. Mas como o fim de
uma frase é identificado?
Por padrão, o \LaTeX\ assume que um ponto final --- ou outra pontuação
como `?{}', ou `!{}', ou `\ldots'
(reticências\index{reticencias@reticências} são produzidas usando o
comando \verb'\ldots') --- marca o fim de uma
frase sempre que, e somente quando, for precedida por uma letra
minúscula. Na maior parte dos casos esse comportamento é exatamente o
que precisamos, mas nem sempre.
Títulos como Dr.\ não terminam uma frase, na maior parte dos
casos. Isso é resolvido usando `\verb*'Dr.\ ''.\footnote{Como vimos na seção \ref{sec:palavras-de-controle}.}
Por outro lado, existem casos em que uma letra maiúscula seguida de
pontuação \emph{termina} uma frase: URSS\@. Para indicar que o ponto
final após uma letra maiúscula termina a frase, existe o comando `\verb'\@'\thinspace', correto?
\begin{center}\footnotesize
\verb'Entendi, OK\@. A frase terminou no último ponto. E nesse também. E nesses.'
\end{center}
Falaremos agora dos espaços \emph{duros}. Existem palavras que estão
naturalmente ligadas, e não toleram quebras de linha entre si. Isto
acontece em expressões como ``seção~\ref{sec:espacos}'',
``Dr.\\ House'' (viu?). Frequentemente é preciso prestar atenção a expressões como ``Teorema de~Kuratowski'', ``Associação Contra os~Maus-tratos a~Espécies'', em que nem todos os espaços são duros, mas alguns são.
Para produzir um espaço duro em \LaTeX, usa-se o til `\verb'~''. Por exemplo, ``\verb'5~cm'''. Com um pouco de prática se torna natural o a introdução desses espaços quando apropriado.